Destaquei a passagem abaixo de um artigo da Wikipédia sobre Rudyard Kipling. Fala do “trauma” do autor de O Livro da Selva por conta de pressões que ele sofreu e que, infelizmente, comumente adultos cometem com crianças pequenas. Por sorte, Kipling “fez do limão uma limonada”, transformando um sofrimento (desnecessário e perigoso) em um talento.
Como Kipling é referência na educação escotista, em especial quando se fala em lobinhos, é interessante ressaltar o acontecido e a observação que ele fez:
Os pais de Kipling se consideravam 'anglo-indianos' (termo usado no século 19 por cidadãos britânicos residentes na Índia) como também ele próprio o faria, embora ele tenha vivido a maior parte de sua vida no exterior. Questões complexas de identidade e lealdade nacional foram aspectos proeminentes de sua ficção.
Os dias de Kipling de "intensa luz e escuridão" em Bombaim terminariam quando ele tivesse 7 anos. Como era o costume na Índia britânica, ele e a sua irmã de três anos, Alice ("Trix"), seriam mandados para a Inglaterra – no caso deles para Southsea (Portsmouth), onde deles cuidariam um casal que recebia filhos de compatriotas britânicos vivendo na Índia. As duas crianças viveriam com o casal, Capitão Holloway e esposa, na casa deles, Lorne Lodge, pelos próximos seis anos. Em sua autobiografia, escrita 65 anos depois, Kipling lembraria aquele tempo com horror, e se perguntaria ironicamente se a combinação de crueldade e negligência que ele experimentou nas mãos da Sra. Holloway não poderiam ter apressado o começo de sua vida literária:
"Se você interroga uma criança de sete ou oito anos sobre suas atividades diárias (especialmente quando ela quer dormir), ela se contradiz com satisfação. Se cada contradição for tomada como uma mentira no café-da-manhã, a vida não é fácil. Eu experimentei um bocado de intimidação, mas isso era tortura calculada – tanto religiosa quanto científica. Ainda assim, isso me fez dar atenção às mentiras que eu, cedo, achei necessário contar: e isso, eu presumo, é a base do meu esforço literário."
Intimidação é, para mim, um abuso da autoridade que os adultos submetem crianças e jovens. Autoridade precisa de responsabilidade, que , por sua vez, exige, no caso da educação deliberada, conhecimentos sobre o processo educativo, e que, sobretudo, envolve compreender no mínimo, hoje em dia, aspectos básicos de neurociência, epistemologia do conhecimento, história e filosofia da educação, sociologia, concepções pedagógicas etc. Ou seja, educar ou co-educar uma criança não é algo “natural” e que “qualquer um pode fazer” – ainda mais quando se está dentro de instituições como a escola e os grupos escotistas, fora do âmbito familiar (mas mesmo aí é preciso informação), lidando com pessoas dentro de um coletivo que explicitamente tem um fim formativo.
Seguem textos, comentários e outras referências ao que chamamos "raízes do escotismo" (roots of scouts). Queremos falar das origens históricas, sociais, culturais, políticas, pedagógicas, entre outras, do escotismo desenvolvido pelo inglês Robert Baden-Powell e seus continuadores. Além propriamente das "raízes", vamos abordar os "galhos" e "frutos" deste que é o maior movimento infanto-juvenil educativo com mais de um século de existência, espalhado por praticamente o mundo todo.
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