Compartilho aqui um tema que envolve o Escotismo - movimento que vai completar 100 anos, criado, como é sabido, pelo militar inglês Baden-Powell, espalhando-se pelo mundo inteiro como uma proposta de educação não-formal complementar à escola. Algumas leituras e observações que ando fazendo nos últimos meses têm me revelado um "manancial" para monografias, dissertações e teses bem pouco explorado na área da Pedagogia e mesmo da Letras, entre outras.
Um dos aspectos que mais têm me intrigado é fato de que todo o fundo didático-pedagógica dos Lobinhos - o ramo infantil dos escoteiros, que abrange meninos e meninas dos 7 aos 11 anos - estar baseada numa obra clássica da literatura infanto-juvenil, os contos d'O Livro da Selva (na verdade o O livro da Selva e também O Segundo Livro da Selva), de Rudyard Kipling, onde aparece o personagem Mogli (ou Mowgli) - o menino indiano adotado por uma família de lobos. Os manuais, os métodos, as "místicas", os trabalhos com as crianças, enfim, são referenciados em personagens e situações vividas nos contos - popularizados em especial pela versão açucarada (adulterada, talvez) de Walt Disney.
Como é que contos para crianças e jovens se tornam um elemento central de uma proposta educacional? Por que Baden-Powel escolheu O Livro da Selva, obra de um escritor nascido e criado na Índia na parte final do século XIX, que se passa principalmente na selva e aldeia indianas? Como essa proposta vem se desenvolvendo? Como isso se mantém após quase um século de aplicação, envolvendo milhares de pessoas em países tão variados? Há outros exemplos de uso da Literatura como base didático-pedagógica tão explícita? Etc.
Bem, como já disse, é só para compartilhar um tema - como tenho feito com outras pessoas que podem ter algum interesse no assunto.
Seguem textos, comentários e outras referências ao que chamamos "raízes do escotismo" (roots of scouts). Queremos falar das origens históricas, sociais, culturais, políticas, pedagógicas, entre outras, do escotismo desenvolvido pelo inglês Robert Baden-Powell e seus continuadores. Além propriamente das "raízes", vamos abordar os "galhos" e "frutos" deste que é o maior movimento infanto-juvenil educativo com mais de um século de existência, espalhado por praticamente o mundo todo.
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